O projeto Estado de Graça valoriza a agricultura enquanto elemento fundamental da cultura, da identidade e dos costumes das comunidades açorianas. Partindo da profunda ligação entre a terra, os alimentos e as práticas sociais transmitidas de geração em geração, o projeto coloca o Mercado da Graça no centro de uma reflexão sobre o património agrícola, alimentar e cultural de São Miguel.
A cultura alimentar açoriana é diretamente influenciada pelas condições naturais do território e pelos produtos que nele são cultivados e produzidos. O inhame, a batata, a batata-doce, a pimenta da terra, as leguminosas, o milho e as frutas sazonais, a par dos lacticínios, da carne, do peixe e do marisco, integram práticas gastronómicas tradicionais que continuam presentes na vida quotidiana, nas festas das freguesias e nas diferentes expressões culturais da região. Estes alimentos transportam histórias, conhecimentos e modos de vida que ultrapassam o momento do cultivo, da colheita ou da comercialização.
A escolha do Mercado da Graça transforma este espaço num ponto de encontro entre agricultores, produtores, comerciantes, consumidores e visitantes. Nas suas bancas cruzam-se os aromas, as cores, as texturas e os sabores do território, dando visibilidade ao percurso dos alimentos desde a terra até à mesa. Através de momentos de informação, degustação e partilha, o projeto promove o reconhecimento dos produtos locais e presta homenagem à terra e às pessoas que a trabalham.
Em 2026, o Estado de Graça apresenta uma programação artística, cultural e educativa ligada aos saberes agrícolas, à literacia alimentar e à promoção de formas de consumo mais conscientes, genuínas e sustentáveis. O programa inclui workshops destinados a diferentes faixas etárias, degustações comentadas, sessões fotográficas, excursões com partida da Banca Cheia de Graça, atividades para escolas, famílias e público em geral, uma exposição no Museu Carlos Machado e o lançamento de um calendário dedicado às novidades e aos ciclos dos produtos agrícolas.
O projeto procura, deste modo, ultrapassar a realização de ações pontuais, estabelecendo um processo continuado de conhecimento e valorização do património agrícola açoriano. Através de conteúdos informativos e educativos, pretende aprofundar o conhecimento sobre os produtos existentes no mercado, as suas características, a sua sazonalidade, os métodos de produção e a sua importância para a sustentabilidade económica, ambiental e cultural do território.
O Mercado da Graça é também abordado enquanto espaço vivo, com valor patrimonial e museológico, capaz de se transformar e de acolher novas experiências ao longo do ano. A programação é complementada por intervenções gráficas e artísticas, conteúdos expositivos e uma dimensão tecnológica, materializada num site acessível à população, que prolonga a experiência do projeto para além do espaço físico do mercado.
Reunindo profissionais das artes visuais, do design, da arquitetura, da agricultura, da ilustração, da poesia, dos têxteis, do herbalismo e da medicina, o Estado de Graça promove um diálogo interdisciplinar entre criação artística, conhecimento científico, tradição e participação comunitária. Ao aproximar produtores e consumidores e ao envolver especialmente o universo escolar, o projeto contribui para preservar e transmitir os saberes agrícolas e alimentares às novas gerações, projetando o Mercado da Graça, Ponta Delgada e os Açores no Lugar do Amanhã.
