A galeria de exposições do Casino Azores apresenta Um Ritmo Interior, uma exposição que reúne, pela primeira vez, a pintura de Fernando Tordo e Margarida Freire. Com 38 obras, a mostra coloca em diálogo dois percursos artísticos distintos, unidos por uma mesma necessidade de criação.
Reconhecido como uma das figuras maiores da música portuguesa, Fernando Tordo revela nesta exposição uma faceta menos conhecida do seu percurso artístico. Na pintura encontra um espaço de liberdade e experimentação, onde a imagem surge sem as exigências próprias da composição musical. Em contraste, a obra de Margarida Freire nasce de uma relação profunda com a música, transformando músicos, instrumentos e canções numa linguagem visual singular.
Mais do que estabelecer correspondências entre música e pintura, Um Ritmo Interior propõe uma reflexão sobre a criação artística enquanto impulso comum. Embora partam de experiências distintas, ambos demonstram que a necessidade de criar antecede qualquer linguagem e pode encontrar diferentes formas de expressão.
Ao longo do percurso expositivo, abstração e figuração, intensidade cromática e depuração formal, memória e imaginação cruzam-se num diálogo onde cada artista preserva a identidade do seu universo plástico. O resultado é uma exposição que convida o público a descobrir afinidades inesperadas e a reconhecer como diferentes percursos podem convergir numa mesma experiência criativa.
Mais do que um encontro entre dois artistas, Um Ritmo Interior constitui um convite à descoberta da arte como espaço de liberdade, memória e imaginação, revelando que, para além das linguagens e das disciplinas, o verdadeiro ponto de encontro reside no próprio ato de criar.