Sete Retratos e Outras Obras em Forma de Enlace

Obras da Coleção do Museu Arpad Szenes — Vieira da Silva
Sete Retratos e Outras Obras em Forma de Enlace
Artes Visuais / Programação Complementar
27 jun 2026 — 08 nov 2026
Arquipelago Centro de Artes Contemporâneas

“Sete Retratos e Outras Obras em Forma de Enlace” é uma mostra concebida especificamente para o Arquipélago — Centro de Artes Contemporâneas que celebra a profunda ligação artística e pessoal entre Maria Helena Vieira da Silva e Arpad Szenes. Resultante de uma parceria estratégica entre o Arquipélago, a Fundação Arpad Szenes — Vieira da Silva (FASVS) e a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), a exposição apresenta obras da prestigiada coleção do museu homónimo em Lisboa.

Inaugura dia 27 de junho às 17h

 

Através de suportes diversos como a pintura, o desenho e a gravura, a seleção de obras traça um arco temporal entre 1931 e 1975, revisitando a trajetória de um casal cuja vivência partilhada cruzou Paris, Lisboa e o período de exílio no Rio de Janeiro durante a Segunda Guerra Mundial. Cruzando temas como o amor, a guerra, o exílio e a liberdade, a exposição reflete uma relação intensa e artisticamente fecunda.

Paralelamente à fruição estética, a mostra convida à reflexão crítica através de um programa de mediação centrado nos conceitos de metamorfose e solidariedade inter-espécies. Este ciclo propõe uma discussão sobre a construção de uma ética de convivência necessária entre os seres humanos e o mundo “mais do que humano”.

Esta exposição integra a programação complementar de Ponta Delgada 2026 – Capital Portuguesa da Cultura.

Biografias

ARPAD SZENES (1897-1985) nasce em Budapeste, na Hungria, no seio de uma família que frequentava o meio cosmopolita, intelectual e artístico. Revela, desde criança, uma especial aptidão para o desenho. Em 1918, frequenta a Academia Livre de Budapeste onde o ensino é avançado e liberal. O seu professor, Rippl Ronaï, revela-lhe a arte francesa anterior à Guerra. Descobre a música de Bartók e de Kodály e a arte de vanguarda de Lajos Kassák, ligado ao movimento Dada. Fixa-se em Paris em 1925. Em 1929, na Academia da Grande Chaumière, conhece Maria Helena Vieira da Silva, com quem casa em 1930. Em 1931, inicia-se na gravura no Atelier 17 de Hayter, onde contacta com os surrealistas Miró, Tanguy e Max Ernst, entre outros, que marcam esta fase da sua obra. Em 1939 instala-se temporariamente em Lisboa, até partir para o Brasil com Vieira da Silva, em 1940. A sua pintura torna-se mais íntima e familiar e as dimensões reduzem-se. No Brasil, Szenes organiza um atelier de pintura para jovens artistas e colabora em várias publicações periódicas. De regresso a França, em 1947, a sua obra, tendo cumprido ciclos sucessivos de evolução, centra-se nas sensações da luz e na exploração da atmosfera, caracterizando-se por formatos estreitos, que revelam uma delicadeza espacial sugerida pela arte japonesa. Em 1956, obtém a nacionalidade francesa. Os anos 60 são de discreta consagração: aquisição de obras suas por museus franceses, exposições individuais em França e no estrangeiro, condecorações pelo Estado francês. A partir de 1970 são organizadas várias retrospectivas da sua obra em França e em Portugal (Fundação Calouste Gulbenkian). Voluntariamente retirado para segundo plano, em função de Vieira da Silva, Szenes foi um dos melhores representantes da Escola de Paris.

 

MARIA HELENA VIEIRA DA SILVA (1908-1992) nasce em Lisboa, no seio de uma família que a estimula para a pintura, leitura e música. Estuda desenho, pintura e escultura em Lisboa e, em 1928, parte para Paris para frequentar as aulas de escultura de Bourdelle, na Academia da Grande Chaumière, e de Despiau, na Academia Scandinave, técnica que abandona em 1929 para se dedicar exclusivamente à pintura. Trabalha com Dufresne, Waroquier e Friez e inicia-se na gravura no Atelier 17 de Hayter. Frequenta as aulas de Fernand Léger e de Bissière numa fase de intensa descoberta e experimentação. Em 1930 casa com o pintor Arpad Szenes (1897-1985), de origem húngara. Pintora de temas urbanos, revela desde cedo preocupação com a expressão do espaço e da profundidade. Em 1932 conhece a galerista Jeanne Bucher que organiza a sua primeira exposição individual, em 1933. Em Portugal, as suas obras são vistas pela primeira vez na Galeria UP, em 1935, numa exposição organizada pelo surrealista António Pedro. A ameaça da II Grande Guerra traz o casal a Lisboa, onde procura obter a nacionalidade portuguesa. O pedido é recusado pelo Governo de Salazar, e Vieira e Arpad partem para o Brasil em 1940. Vieira da Silva faz algumas exposições no Brasil e, em 1946, Jeanne Bucher organiza a sua primeira exposição individual em Nova Iorque. No ano seguinte o casal regressa a Paris. A década de 50 traz-lhe inúmeras exposições importantes, em França e no estrangeiro. Em 1956, Vieira da Silva e Arpad naturalizam-se franceses. O Estado francês adquire obras suas e atribui-lhe várias condecorações, a primeira em 1960. Vieira da Silva acumula prémios internacionais e a partir de 1958 organizam-se retrospectivas da sua obra, por toda a Europa. Em Portugal, a Fundação Calouste Gulbenkian mostra a sua obra em 1970, 1977 e 1988. Em 1983, o Metropolitano de Lisboa propõe-lhe a decoração da estação da Cidade Universitária. Em 1990, em Lisboa, é criada a Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva cujo Museu, dedicado à obra dos dois pintores, abre ao público em 1994.

Newsletter

Inscreve-te na mailing list
e recebe todas as novidades
da PDL26!

Ao subscrever, passará a receber todas as novidades,
informações sobre a programação, as nossas iniciativas
e outras informações por email.
O seu endereço nunca será partilhado.

Li o aviso de privacidade e que os dados recolhidos sejam utilizados para dar seguimento à subscrição de newsletters.