O nome do compositor Rodrigo Leão é conhecido do público português desde os tempos da banda Sétima Legião. Posteriormente, integrou os Madredeus, projeto com o qual reforçou a sua visibilidade. Em 1993, lançou o primeiro disco em nome próprio, Ave Mundi Luminar, iniciando uma carreira a solo que viria a incluir uma extensa discografia, na qual constam também bandas sonoras e colaborações com artistas como Ryuichi Sakamoto, Neil Hannon (The Divine Comedy), Beth Gibbons (Portishead) ou Michelle Gurevich.
Agora, 32 anos depois da sua estreia como músico a solo, chega O Rapaz da Montanha. E não há como evitar o adjetivo: o novo disco de Rodrigo Leão, editado a 25 de abril pela Galileo Music, é surpreendente, quer em termos musicais, quer até em termos da carreira do compositor.
O próprio o reconhece: «Foi um disco inesperado. Há três anos que o tinha na cabeça e fui construindo-o de forma muito focada, de uma maneira diferente daquilo que aconteceu nos anteriores, em que a composição surgia sem tempo ou intenção determinada. Aqui, a partir daquela frase da Ana Carolina [Costa] — “Se Deus perdoa a quem engana/quem é que perdoa a Deus?” [incluída no tema “Cadeira Preta”] —, comecei logo a pensar no que iria fazer. E, agora que está acabado, acho que é o disco mais português que fiz até hoje.»
Esta noção de identidade é verdadeira: percorre, com maior intensidade, vários discos do compositor e está bem patente na compilação Os Portugueses. Com efeito, este novo disco enquadra-se nessa identidade que, de um modo ou de outro, sempre esteve presente na obra de Leão.
