Tempo de ensaiar aventuras. Fronteiras definidas, costas desenhadas. Premunição de outros mundos, todos para além do mar. Tempo também de incertezas e de ansiedades. Tempo de colher riquezas e de haver mais pobres. Estimulam-se guerras desfraldando mitos, a fé e o império. Estimulam-se viagens rumo ao desconhecido, motivadas pelos mesmos mitos; ou, talvez, por utopias. E não interessa por que preço. Ninguém tem moedas. Paga-se com a vida. E há um homem que sonha. E arrasta outros homens para a concretização dos seus sonhos. Só que os sonhos não param. Com eles começam as descobertas. Deus quer, o homem sonha, a obra nasce. Deus quis que a terra fosse toda uma, Que o mar unisse, já não separasse. Sagrou-te e foste desvendando a espuma. E a orla branca foi de ilha em continente, Clareou, correndo, até ao fim do mundo, E viu-se a terra inteira, de repente, Surgir, redonda de azul profundo. Fernando Pessoa Inspirado no texto de Álamo de Oliveira, Os Sonhos do Infante propõe uma reflexão sobre o impulso humano de partir, descobrir e transformar o mundo. Cruzando literatura, história e teatro, o espetáculo revisita o imaginário das Descobertas Portuguesas, questionando simultaneamente os seus ideais, contradições e consequências. A apresentação no Navio-Escola Sagres reforça simbolicamente a relação entre património, memória, identidade marítima e criação artística contemporânea.
Alpendre Grupo de Teatro O Alpendre Grupo de Teatro, sediado em Angra do Heroísmo, desenvolve um trabalho continuado de criação, produção e apresentação de espetáculos, assumindo-se como uma das estruturas de referência do panorama teatral açoriano. Ao longo do seu percurso tem privilegiado a dramaturgia portuguesa, a valorização da literatura açoriana e a criação de projetos que promovem o encontro entre património, identidade e contemporaneidade. Paralelamente à criação artística, desenvolve atividade formativa, ações de mediação cultural e projetos de aproximação entre o teatro e as comunidades
