Segundo a mitologia grega, Hefesto foi expulso do Monte Olimpo por a sua aparência ser considerada grotesca. Fadado ao exílio, instalou uma forja no interior da cratera do Etna e tornou-se ferreiro. Deus dos vulcões, do fogo e dos artesãos, Hefesto é, entre as divindades gregas, aquela cuja condição mais se aproxima dos mortais e das suas privações. Em O Silêncio de Hefesto, serve de pretexto para pensar o território dos Açores, as catástrofes naturais que o marcaram ao logo das últimas décadas e as relações com a história recente de Portugal.
O ponto de partida da exposição é a erupção vulcânica dos Capelinhos, na ilha do Faial, em 1957. Acontecimento que transformou o arquipélago e acusou o silêncio imposto pelo Estado Novo: nas imagens televisivas da erupção captadas pela RTP, nem o som do vulcão, nem as vozes da população foram registados.
O Silêncio de Hefesto reúne um conjunto de obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado que percorrem um arco temporal entre 1957 e o presente. Embora distintas nas suas abordagens, as obras convergem na atenção ao território e na exploração da dimensão acústica, interrogando quem pode falar e em que condições a catástrofe se torna audível.
