O que resta de um corpo quando este é subtraído ao seu lugar?
Esta exposição não apresenta uma obra fechada, mas o processo de interrogação de um objeto arrancado à sua geografia original.
A escultura aqui presente, outrora habitante da bruma e da luz mutável da Lagoa de São Brás, surge agora como um corpo insólito. O espaço da galeria assume-se, por isso, como um lugar de arqueologia especulativa. Os desenhos e pinturas que acompanham a obra não a antecederam; são, pelo contrário, tentativas posteriores de compreender a sua natureza, a sua massa e o seu silêncio. Através desta inversão, o projeto renuncia à explicação para afirmar o enigma.
O vídeo não documenta; evoca o vestígio de uma ação. O desenho e a pintura não projetam; analisam a aparição. Estamos perante um dispositivo que não procura dar respostas, mas sim construir uma atmosfera onde o espectador é convidado a completar a narrativa deste deslocamento.
