Partindo da memória coletiva associada a este momento determinante da História contemporânea portuguesa, o espetáculo propôs uma leitura artística que cruza música, imagem e narrativa, refletindo sobre o impacto da revolução na construção da democracia e nas transformações sociais que se lhe seguiram. As canções de intervenção, que marcaram gerações e se tornaram símbolos de mudança, dialogam aqui com novas linguagens e abordagens, num exercício que liga passado e presente.
Concebido como uma experiência multimédia, o projeto desenvolveu-se ao longo de uma linha temporal que percorre o período pré-revolucionário até à atualidade. O repertório combina música original, criações site specific e revisitações de temas emblemáticos, sublinhando questões centrais como a liberdade de expressão, a participação cívica, a evolução das condições de vida, o acesso à educação e o papel da mulher na sociedade.
Num território historicamente marcado pela insularidade e pela emigração, os Açores assumiram neste espetáculo um lugar particular. A evocação dos fluxos migratórios, sobretudo para os EUA, é um elemento simbólico de um tempo e de uma condição social que atravessam gerações, contribuindo para uma leitura mais ampla das conquistas e desafios do período.
