SACUNTALA – Memórias de um Peão nos Combates pela Liberdade evocou em Ponta Delgada o legado de uma mulher que fez da resistência um compromisso de vida.

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12 jul 2026
SACUNTALA – Memórias de um Peão nos Combates pela Liberdade evocou em Ponta Delgada o legado de uma mulher que fez da resistência um compromisso de vida.

Nos dias 9 e 10 de julho, o Núcleo de Arte Sacra do Museu Carlos Machado acolheu SACUNTALA : Memórias de um Peão nos Combates pela Liberdade, espetáculo de teatro/vídeo performance integrado na programação da Ponta Delgada Capital Portuguesa da Cultura 2026. As duas apresentações reuniram um público atento e profundamente envolvido, proporcionando uma experiência artística que cruzou memória, criação contemporânea e reflexão histórica.

Inspirado na vida e no legado de Sacuntala de Miranda, intelectual, escritora e ativista antifascista açoriana, o espetáculo propôs uma aproximação sensível a uma das figuras mais marcantes da resistência ao Estado Novo. Longe de assumir um caráter meramente biográfico, a criação procurou explorar as múltiplas dimensões da sua personalidade e do seu pensamento, convocando questões que permanecem atuais em torno da liberdade, da cidadania, da justiça e da responsabilidade individual.

Através da combinação de interpretação teatral, vídeo, música, projeções e dispositivos cénicos, a obra construiu uma linguagem híbrida onde diferentes formas de expressão artística dialogaram entre si. Os intérpretes conduziram o público por um percurso marcado pela alternância entre documentos históricos, evocação poética e criação performativa, estabelecendo uma relação permanente entre memória e presente.

Mais do que revisitar episódios da vida de Sacuntala de Miranda, o espetáculo procurou refletir sobre o significado da resistência e sobre a importância da preservação da memória coletiva. As palavras, as imagens e os silêncios transformaram-se em instrumentos de evocação, permitindo revisitar um período determinante da história portuguesa através de uma abordagem artística profundamente contemporânea.

No final de ambas as sessões, os prolongados aplausos testemunharam o impacto da obra junto do público. SACUNTALA : Memórias de um Peão nos Combates pela Liberdade afirmou-se como um exercício de memória ativa, recordando que a defesa da liberdade, da democracia e dos direitos humanos exige um permanente compromisso coletivo e individual. Através da evocação de uma mulher cuja vida foi marcada pela coragem e pela resistência, o espetáculo convidou os espectadores a refletirem sobre o valor da liberdade conquistada e sobre a necessidade de preservar as histórias daqueles que lutaram para a tornar possível.

A apresentação deste espetáculo na programação da PDL26 constituiu um significativo momento de valorização da memória histórica açoriana, reafirmando o compromisso da Capital Portuguesa da Cultura com projetos artísticos que cruzam património, criação contemporânea e pensamento crítico, promovendo o diálogo entre o passado e os desafios do presente.

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