O concerto “O Velho e o Novo”, apresentado no passado dia 14 de março, no Conservatório Regional de Ponta Delgada – Igreja da Graça, propôs ao público um encontro singular entre diferentes épocas e linguagens musicais, através de uma formação instrumental pouco convencional.
Interpretado por Pedro Dias e Luís Abrantes, o projeto articulou a sonoridade da teorba, instrumento emblemático do período barroco, com o octacorde, uma guitarra clássica moderna de oito cordas, explorando as possibilidades tímbricas e expressivas de ambos os instrumentos. Este diálogo entre o antigo e o contemporâneo constituiu o eixo central de um programa que cruzou obras de compositores como Jean-Philippe Rameau e Domenico Scarlatti com peças de autores modernos como Luciano Berio e Erik Satie.
A teorba, instrumento da família do alaúde com origem no contexto musical europeu dos séculos XVI e XVII, destacou-se pela sua profundidade sonora e função tradicional de acompanhamento. Já o octacorde, desenvolvido a partir da guitarra clássica, acrescenta cordas graves que ampliam a extensão do instrumento, tendo sido explorado por compositores do período romântico e redescoberto por intérpretes contemporâneos.
Pedro Dias, natural de Coimbra, e Luís Abrantes, natural de Ponta Delgada, partilham um percurso académico e artístico consolidado, com formação em instituições como a Universidade de Évora, a Universidade de Aveiro e a Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo do Porto. Atualmente, ambos exercem funções docentes no Conservatório Regional de Ponta Delgada.
“O Velho e o Novo” afirmou-se, assim, como uma proposta que valoriza o diálogo entre património e criação contemporânea, convidando o público a escutar o passado à luz do presente.
