No passado dia 21 de fevereiro, pelas 10h00, a sala Santos Figueira, no Coliseu Micaelense, recebeu a oficina de Sapateado orientada pelo Professor Michel, vulto incontornável desta disciplina em Portugal e referência maior na divulgação e valorização do sapateado no contexto artístico nacional. A iniciativa integrou a programação oficial da PDL26.
Artista amplamente reconhecido pelo público português, o Professor Michel iniciou a sua formação artística em Paris, onde estudou acordeão com Josianne Le Goff e sapateado na École de Claquettes Jean-Pierre Cassel, prosseguindo o seu percurso junto de mestres de reconhecido mérito em ambas as áreas. A solidez técnica aliada a uma expressiva versatilidade artística permitiram-lhe construir uma carreira multifacetada enquanto bailarino, coreógrafo, ator e músico, desenvolvida em diversos países.
Em Portugal, alcançou particular notoriedade através da participação em programas televisivos, tornando o sapateado mais próximo do grande público. Foi professor na Escola de Dança do Conservatório Nacional, desempenhando um papel determinante na formação de novas gerações de intérpretes, e é autor de diversos espetáculos onde a música, a dança e o teatro se entrelaçam de forma criativa e inovadora. Integra a Companhia Maior desde a sua fundação, mantendo uma presença artística marcada pela exigência, pela sensibilidade e pela permanente capacidade de reinvenção.
A deslocação do Professor Michel a Ponta Delgada ocorreu no âmbito da apresentação do espetáculo “A esta hora, na infância neva”, da Companhia Maior, com coreografia de Victor Hugo Pontes, criando assim a oportunidade para a realização desta oficina. A presença do artista na cidade permitiu transformar a passagem do espetáculo por Ponta Delgada num momento alargado de partilha e formação, aproximando a comunidade local de um dos nomes maiores do sapateado em Portugal.
A oficina reuniu jovens provenientes de várias escolas de dança da ilha, acompanhados pelos seus professores e por antigos alunos do próprio Michel, num ambiente de partilha entre diferentes gerações particularmente significativo. Desde os primeiros exercícios rítmicos até às pequenas sequências coreográficas trabalhadas ao longo da manhã, a sessão foi marcada por um elevado rigor técnico, mas também por uma atmosfera de entusiasmo e cumplicidade.
O Professor Michel revelou, uma vez mais, o amor profundo e contagiante que nutre pela arte do sapateado. Entre demonstrações práticas e momentos de improvisação, destacou-se o seu sorriso permanente, a energia vibrante e a enorme entrega a cada participante. A sua pedagogia, profundamente motivadora, promoveu não apenas a aprendizagem técnica, mas também a confiança, a expressão individual e o prazer de dançar.
Integrada na programação da PDL26, esta iniciativa valorizou o sapateado enquanto linguagem artística plena, capaz de unir gerações e de celebrar a arte como espaço de partilha, dedicação e alegria.
