No passado dia 23 de abril, o Museu Carlos Machado acolheu a inauguração da exposição De Corpo Inteiro, assinalando a conclusão de um projeto artístico desenvolvido ao longo de dois meses por Sofia de Medeiros, Nina Medeiros e Milagres Paz, integrado na programação da PDL 26. Cruzando dança, artes visuais e práticas inclusivas, a iniciativa afirmou a arte como um espaço de encontro, expressão e valorização da diversidade humana.
Dirigido a pessoas com limitações físicas e incapacidades intelectuais, De Corpo Inteiro desenvolveu um conjunto de nove sessões criativas realizadas na Associação de Cegos e Amblíopes dos Açores, na Associação Seara do Trigo e no Museu Carlos Machado. Ao longo deste percurso, os participantes exploraram o movimento, o gesto, o desenho, o traço e a mancha como formas de expressão artística, descobrindo novas possibilidades de comunicação e aprofundando a perceção do próprio corpo.
Sob a orientação de Milagres Paz, na área da dança, e de Sofia de Medeiros e Nina Medeiros, nas artes visuais, o projeto estabeleceu um diálogo entre diferentes linguagens artísticas, demonstrando como o corpo pode assumir-se como lugar de criação, identidade e descoberta. O movimento transformou-se em desenho, o gesto em marca plástica e cada experiência individual contribuiu para uma criação coletiva construída na liberdade e na autenticidade.
Ao longo das várias sessões, os participantes foram convidados a experimentar, criar e colaborar, desenvolvendo a autoestima, a autonomia e a confiança através da prática artística. A iniciativa evidenciou o potencial da cultura enquanto instrumento de inclusão, mostrando que a criação artística constitui um espaço onde todas as pessoas podem participar ativamente e ver reconhecida a sua capacidade criativa.
A exposição inaugurada no Museu Carlos Machado reúne os trabalhos produzidos durante este percurso, revelando ao público o resultado de um processo profundamente humano e colaborativo. Mais do que apresentar obras concluídas, a mostra dá a conhecer histórias, experiências e gestos que refletem a riqueza da diversidade e a importância de promover uma cultura verdadeiramente acessível e participativa.
De Corpo Inteiro constituiu, assim, um exemplo inspirador de como a arte pode aproximar pessoas, derrubar barreiras e criar novas formas de diálogo. Um projeto que demonstrou que a expressão artística não conhece limitações quando encontra espaço para crescer, afirmando a inclusão como um dos valores fundamentais da cultura contemporânea.