Companhia Maior emocionou o público com “A esta hora, na infância neva”.

Por PDL26

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24 fev 2026
Companhia Maior emocionou o público com “A esta hora, na infância neva”.

Em cena, corpos de diferentes gerações cruzaram-se e dialogaram, evidenciando contrastes, mas também celebrando a beleza do corpo amadurecido, um corpo que talvez tenha perdido força e até velocidade, mas que ganhou intenção nos atos, consciência e uma grande densidade humana. Os intérpretes mais jovens funcionaram como um espelho que convidou o espectador a refletir sobre o tempo, sobre aquilo que fomos e aquilo que ainda somos, abrindo caminho para um futuro sempre em construção.

No passado dia 21 de fevereiro, a Companhia Maior apresentou o espetáculo A esta hora, na infância neva, com coreografia de Victor Hugo Pontes, proporcionando ao público uma noite profundamente emocionante e inesquecível. Em palco, intérpretes que ao longo das suas vidas cultivaram o amor pela representação demonstraram, uma vez mais, que a arte não conhece idade quando sobeja a entrega e a sensibilidade. Maiores em idade, grandes em conhecimento, estes artistas continuam a dar-se de corpo e alma ao teatro, provando que o espírito criativo permanece vivo e vibrante.

Esta criação contou também com a participação de intérpretes naturais da Ilha de São Miguel, que integraram o elenco após um período de ensaios desenvolvidos com a equipa. A presença destes participantes conferiu ao espetáculo uma dimensão particularmente próxima e significativa, aproximando a criação artística da nossa comunidade.

Nesta obra, Victor Hugo Pontes propõe uma abordagem marcadamente física, explorando o potencial expressivo de corpos que já viveram muito tempo. Num interessante contraponto com trabalhos anteriores desenvolvidos com jovens intérpretes, o coreógrafo procura demonstrar que a maturidade se reveste de uma nova dimensão artística. Se a juventude traz energia e impulso, a idade maior revela experiência, domínio e grande profundidade. As limitações físicas transformam-se, assim, em matéria poética, resolvidas pela inteligência de palco e pela memória inscrita no corpo de quem dedicou a sua vida à representação.

Em cena, corpos de diferentes gerações cruzaram-se e dialogaram, evidenciando contrastes, mas também celebrando a beleza do corpo amadurecido, um corpo que talvez tenha perdido força e até velocidade, mas que ganhou intenção nos atos, consciência e uma grande densidade humana. Os intérpretes mais jovens funcionaram como um espelho que convidou o espectador a refletir sobre o tempo, sobre aquilo que fomos e aquilo que ainda somos, abrindo caminho para um futuro sempre em construção.

Inspirado no universo poético de Manuel António Pina, o espetáculo evocou a memória e a infância como territórios onde persistem as marcas do tempo, “as cicatrizes do coração permanecem” num presente onde o esquecimento também pode ser sabedoria e onde a infância reaparece, transformada pela experiência.

A Companhia Maior voltou, assim, a provar que o espírito não envelhece. O espetáculo deixou lágrimas nos olhos e emoção nos corações, permanecendo certamente na memória de todos os que tiveram o privilégio de assistir a esta esplêndida criação artística. Uma celebração sensível da vida e do tempo eternizados na arte.