“Ponta Delgada é uma Capital Portuguesa da Cultura muito especial. É uma cidade onde o património dialoga naturalmente com a criação contemporânea; onde a tradição coexiste com a inovação; e onde cada bairro, cada freguesia e cada comunidade carrega uma energia própria, profundamente marcada pela relação com o mar, com a natureza e com a memória coletiva dos Açores.”
Senhor Presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores,
Senhor Presidente do Governo Regional dos Açores,
Senhora Secretária Regional da Educação, Cultura e Desporto,
Senhora Secretária Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas,
Senhor Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada,
Senhor Presidente da Câmara Municipal de Braga,
Senhora Comissária do Projeto Ponta Delgada 26 – Capital Portuguesa da Cultura,
Senhoras e Senhores Deputados à Assembleia da República,
Senhoras e Senhores Deputados à Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores,
Senhor Doutor João Bosco Mota Amaral,
Caros Representantes das Entidades Autárquicas, Académicas, Religiosas, Militares e das Forças de Segurança,
Caros Diretores, Curadores e Artistas,
Minhas Senhoras e Meus Senhores,
É com muito gosto que me junto a todos vós neste arranque oficial de Ponta Delgada 2026 – Capital Portuguesa da Cultura. Um momento que dá início a um novo capítulo desta iniciativa, que reafirma a capacidade da Cultura para mobilizar territórios e envolver comunidades – e que, acima de tudo, destaca o papel que Ponta Delgada e os Açores assumem na afirmação cultural do País.
Começar o ano no coração do Atlântico, num território onde a identidade portuguesa se liga à natureza e à diversidade das paisagens, é reconhecer a pluralidade do país – e afirmar que cada território, independentemente da sua geografia, tem um papel determinante na construção da Cultura nacional.
Essa é, aliás, uma das grandes forças da Cultura: a capacidade de unir o que está longe, aproximar o que parece distinto, e transformar cada território num espaço de encontro, de liberdade e de futuro.
É nessa dimensão – aberta, participada e viva – que a Cultura cumpre verdadeiramente a sua missão.
- Não quando se limita aos grandes centros, mas quando atravessa geografias, gerações e contextos.
- Não quando se fecha sobre si própria, mas quando envolve as pessoas, aproxima os jovens, valoriza múltiplas vozes e se constrói num trabalho partilhado entre o Estado, as Regiões Autónomas, as autarquias, os agentes culturais e as comunidades.
Dessa visão, nasceu a iniciativa Capital Portuguesa da Cultura, com a convicção de que os territórios ganham força quando a Cultura está no centro da vida coletiva – e que cada cidade, cada região, tem algo singular a oferecer ao país, desde que existam condições, meios e confiança para que essa singularidade encontre espaço para crescer.
Hoje, Ponta Delgada assume esse desafio.
E fá-lo num momento particularmente significativo.
Não só porque sucede a Braga, que demonstrou como uma Capital Portuguesa da Cultura pode mobilizar uma cidade inteira, criar redes, reforçar comunidades e deixar marcas duradouras – num legado aqui hoje representado pela presença do Senhor Presidente da Câmara. Mas também porque abre caminho para Évora 27, Capital Europeia da Cultura, num ciclo que reafirma a ambição do país no plano nacional e além-fronteiras.
Ponta Delgada é uma Capital Portuguesa da Cultura muito especial. É uma cidade onde o património dialoga naturalmente com a criação contemporânea; onde a tradição coexiste com a inovação; e onde cada bairro, cada freguesia e cada comunidade carrega uma energia própria, profundamente marcada pela relação com o mar, com a natureza e com a memória coletiva dos Açores.
Foi precisamente por reconhecer essa singularidade, que o Governo decidiu reforçar o apoio a este projeto – com uma majoração de 300 mil euros para assegurar as condições necessárias ao desenvolvimento e à execução de todo o programa. Um reforço que exprime a importância que o Governo atribui à Cultura como fator de coesão e de desenvolvimento – e que sublinha a confiança neste território, na sua capacidade criativa e no seu potencial transformador.
Mais do que um simples reforço financeiro, este apoio traduz uma convicção: uma Capital Portuguesa da Cultura só se realiza plenamente quando é construída com as pessoas e para as pessoas. Quando abre portas, remove barreiras e cria condições efetivas de participação – e isso exige meios, tempo e condições adequadas, capazes de garantir que todos têm espaço para participar.
O compromisso do Governo com Ponta Delgada 2026 estende-se, assim, muito para além desta cerimónia de abertura. Queremos acompanhar o projeto ao longo de todo o ano, participar nas dinâmicas e, acima de tudo, envolver todo o setor cultural neste percurso.
Justamente por isso, decidimos realizar aqui, nos dias 27 e 28 de abril, a terceira edição do Fórum Cultura – um encontro trimestral criado pelo Governo para ouvir o setor, promover um diálogo regular e aprofundar o debate sobre as prioridades da política cultural.
A escolha de Ponta Delgada para acolher a próxima edição, dedicada aos direitos culturais, demonstra essa vontade clara: estar presente, reforçar a participação e contribuir ativamente para que esta Capital Portuguesa da Cultura seja vivida de forma plena por todos.
Nesse espírito de abertura e de continuidade, esta Capital Portuguesa da Cultura é uma oportunidade única para afirmar Ponta Delgada – e os Açores – como um polo cultural de criatividade, de experimentação e de participação.
- Uma oportunidade para mostrar tudo o que aqui se cria, para abrir espaço a novas linguagens e para acolher artistas de múltiplas áreas;
- Uma oportunidade para envolver a comunidade – cruzando gerações e saberes, valorizando quem aqui vive e trabalha, e fazendo da Cultura um espaço verdadeiramente partilhado;
- E, finalmente, uma oportunidade para abrir a cidade ao mundo – através das escolas, das Instituições de Ensino Superior, das associações, das estruturas culturais, dos artistas emergentes e de todos aqueles que diariamente lhe dão vida.
Ao longo deste ano, queremos que Ponta Delgada se torne um palco aberto. Um palco:
- Onde artistas nacionais e internacionais encontrem espaço para criar a partir da cidade, das suas paisagens e da energia própria deste território;
- Onde os artistas locais tenham oportunidades de diálogo, de colaboração e de afirmação;
- E onde os projetos educativos aproximem crianças e jovens da criação e da fruição cultural.
Queremos que Ponta Delgada seja um lugar onde cada pessoa reconheça que a Cultura é uma forma de compreender o presente, mas também de construir o futuro. Um lugar onde as novas gerações encontrem portas de entrada para a criação, para a inovação e para o pensamento. Um lugar onde o território se afirma não por estar longe, mas por estar no centro – no centro da imaginação, da participação e do futuro cultural do país.
Contudo, nenhum projeto desta natureza se constrói de forma isolada.
A Cultura exige trabalho conjunto, visão partilhada e uma articulação constante entre instituições, equipas, artistas e comunidades. Exige preparação, empenho e uma capacidade coletiva de transformar intenção em ação.
É dessa convergência de vontades, responsabilidades e saberes que nasce a solidez necessária para que um projeto como este possa começar, crescer e cumprir a sua ambição.
Quero, por isso, deixar uma palavra de agradecimento:
- Ao Governo Regional dos Açores e ao Município de Ponta Delgada – pela capacidade de mobilização em torno desta Capital Portuguesa da Cultura;
- À Katia Guerreiro, Comissária do projeto – a quem deixo uma palavra especial pelas várias horas de trabalho e meses de preparação que permitiram o arranque de Ponta Delgada 26 e a definição de um programa que valoriza o território, envolve as pessoas e destaca a identidade cultural única desta cidade;
- E, naturalmente, às equipas de produção e de comunicação, aos curadores, aos artistas, às estruturas culturais, às associações, às escolas, às Instituições de Ensino Superior e a todos os envolvidos na preparação e no desenvolvimento desta iniciativa – pela dedicação, pela entrega e pelo empenho para que este projeto se concretize com o sucesso que todos desejamos.
É este esforço coletivo que dá verdadeira força a uma Capital Portuguesa da Cultura. Porque um projeto como este só ganha sentido quando junta comunidades e instituições. Quando cruza saberes, experiências e responsabilidades.
A Cultura constrói-se assim. Na partilha, na cooperação e na capacidade de transformar intenções em ação concreta. E é essa base comum que permite que um projeto como Ponta Delgada 2026 comece com solidez, cresça com consistência e se afirme com ambição ao longo do ano.
À medida que damos início a este novo ciclo, é também inevitável olhar para o caminho que nos trouxe até aqui.
A Capital Portuguesa da Cultura foi pensada como um ciclo que culminaria em 2026. Um percurso que começou em Aveiro, ganhou expressão em Braga e que encontraria agora, em Ponta Delgada, a sua última etapa.
Este seria, assim, o momento de fecho desse ciclo – o último ano antes de Évora assumir, em 2027, a responsabilidade de Capital Europeia da Cultura.
Mas a experiência destes anos mostrou-nos algo muito claro. Mostrou-nos que esta iniciativa tem um impacto real nos territórios, mobiliza comunidades, cria redes e deixa um legado duradouro. Mostrou-nos que a Cultura, quando é pensada com visão, proximidade e continuidade, se transforma num verdadeiro motor de desenvolvimento, de coesão e de futuro.
Por isso mesmo, não podíamos deixar que esta iniciativa terminasse aqui.
O caminho percorrido, os resultados alcançados, e a confiança construída com os territórios, tornaram claro que a Capital Portuguesa da Cultura deve afirmar-se como um instrumento com continuidade, capaz de consolidar o trabalho desenvolvido e de aprofundar o seu impacto ao longo do tempo.
Nesse sentido, é com muito gosto que posso finalmente anunciar que o Governo decidiu prolongar a iniciativa Capital Portuguesa da Cultura – com novas edições em 2028 e 2029.
Uma decisão que reforça a confiança na capacidade dos territórios, que reafirma o valor do trabalho desenvolvido ao longo destes anos, e que confirma a importância de manter ativa uma dinâmica que estimule a criação artística, aproxime públicos e convoque cidades de diferentes escalas para um projeto comum.
Queremos continuar a aproximar a Cultura das pessoas e a construir um País onde a Cultura está presente em todo o território. Queremos continuar a garantir programação diversa, a fazer circular artistas e públicos, e a reforçar a ligação ao mundo.
Queremos que a Capital Portuguesa da Cultura continue a ser um instrumento de acesso, de participação e de desenvolvimento cultural – e, acima de tudo, que as novas edições de 2028 e 2029 continuem a deixar legados que permanecem.
Por agora, resta-me desejar que este ano traga boa programação, encontros inesperados, muita participação, novas ideias e uma cidade inteira mobilizada em torno da Cultura.
Que os Açores mostrem ao País – e ao mundo – a força criativa que aqui existe.
E que Ponta Delgada seja, ao longo deste ano, esse verdadeiro “Lugar do Amanhã”.
Muito obrigada.
