O Coliseu Micaelense recebeu, no passado dia 23 de maio, o espetáculo Bruma, uma criação integrada na programação da PDL 26, que reuniu música, dança e palavra numa homenagem à obra de Eduardo Manuel Tavares de Melo.
Partindo dos fados de Coimbra compostos pelo autor micaelense, o espetáculo conduziu o público numa viagem entre os Açores e Coimbra, cruzando memórias, afetos e experiências ligadas à partida, ao regresso e à construção da identidade. Ao longo da noite, foram revisitadas algumas das composições mais marcantes de Eduardo Tavares de Melo, assim como temas do repertório popular açoriano e da tradição coimbrã, reinterpretados numa abordagem contemporânea e profundamente emotiva.
A voz de João Moniz assumiu um lugar de destaque nesta travessia artística, interpretando músicas ligadas à tradição de Coimbra e às sonoridades açorianas, numa leitura sensível da obra de Tavares de Melo. A interpretação procurou recuperar a dimensão íntima e melancólica das composições do autor, evocando a relação entre São Miguel, ilha onde nasceu, e Coimbra, cidade onde encontrou uma nova expressão artística, sem nunca se afastar das memórias da sua origem.
Com direção artística de Adérito Araújo e João Fong, Bruma destacou-se pela sua dimensão multidisciplinar, associando à música ao vivo uma forte componente cénica e coreográfica. A criação coreográfica esteve a cargo do 37.25 Núcleo de Artes Performativas, com interpretações de Catarina Medeiros, Cecília Hudec, Giovana Sanchez e Vanessa Canto, acompanhadas em palco pelo ator António Neves da Silva, responsável por dar corpo à dramaturgia de Catarina Gouveia.
A direção musical foi assegurada por Ni Ferreirinha, Ricardo Dias e Luís Pedro Madeira, contando ainda com a participação dos músicos Hugo Gambóias, Ni Ferreirinha, Ricardo Dias e Luís Pedro Madeira. A cenografia de Zétavares, os figurinos de Filipa Malva, o desenho de luz de Berto Pinheiro e o desenho de som de José Meneses contribuíram para criar uma atmosfera envolvente e evocativa, marcada pela ideia da bruma enquanto metáfora da memória, da distância e da incerteza.
Produzido pela Tarrafo – Associação Cultural, em coprodução com o 37.25 Núcleo de Artes Performativas e em parceria com a Cara Lavada, o espetáculo afirmou-se como um encontro entre diferentes sensibilidades artísticas e territoriais, trazendo de volta à ilha a obra de um compositor que transformou em música as vivências de quem parte, regressa e permanece dividido entre lugares, tempos e afetos.
Integrado na programação da PDL26, Bruma deixou no Coliseu Micaelense um retrato poético da condição insular, onde a saudade, a viagem e a incerteza se transformam em matéria artística e coletiva.
