Com direção artística, coreografia, encenação e seleção musical de Milagres Paz, Limbo é um espetáculo que dialoga com a dança, a música, a palavra, numa representação do estado do mundo actual, onde a guerra, a artificialidade, a mundialização, a solidão e o isolamento, a violência e a ausência de empatia e de amor pelo outro – lugar da diferença-, viabilizam o desenvolvimento de sociedades (não)humanas, iguais na arquitectura, no abandono da natureza, na robotização de formas de pensamento , de atitudes, de comportamentos automatizados que evidenciam competências cada vez mais distantes do caminho individual do conhecimento , da sabedoria e da criatividade. Eis as novas formas de servidão humana e que fazem de cada um de nós habitantes de um «não-lugar», conforme definiu Marc Augé. Que nos resta então, senão o limbo, esse espaço entre a individualidade e a automatização, entre a guerra e o armistício, entre a agonia e o júbilo? Com os sentidos, os sentimentos, as palavras e os movimentos paralisados, sobra-nos a vida suspensa entre o passado que conhecemos e um futuro que tememos. Neste espectáculo, a ambivalência esperança-incredulidade, a par da nossa comum impotência, tem um nome: limbo. É a nossa condição.
Ângela de Almeida
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