“Serão ainda lagos os lagos secos?”. Esta frase de Paulo Ramalho marca a investigação que deu origem ao projeto “a branda respiração de um tempo mais verde”*, de Margarida Andrade, que investiga o consumo e a distribuição de água em Portugal no contexto atual de crise climática. A partir da produção de uma curta-metragem e de pinturas a óleo, o projeto articula uma narrativa visual que explora a abundância de alguns territórios e a escassez de outros. A curta-metragem propõe o debate sobre a escassez hídrica, numa ação que simboliza o esforço para reabastecer e regenerar a flora local. Este gesto, repleto de ironia, evidencia o esquecimento dos territórios secos. A série de pinturas a óleo, intitulada “paisagem morta”, vem contestar a “riqueza natural” comumente atribuída às paisagens açorianas, ao representar uma paisagem abundante em invasoras, dando ênfase à hegemonia de umas espécies em detrimento de outras e à crescente pobreza dos ecossistemas regionais, como resultado da ação humana.
*o título da exposição é uma apropriação de outra frase do poeta Paulo Ramalho, com uma ligeira reformulação.
Evento gratuito e de entrada livre.