“Cravos D’ontem, D’hoje e D’amanhã” é um trabalho que tem por objetivo olhar para canções de intervenção de autores e músicos politicamente engajados, nacionais, regionais e estrangeiros, conferindo-lhes uma interpretação contemporânea da sua mútua influência, que possa ser compreendida pelo público de hoje, projetando os seus valores no futuro.
Trata-se de propor uma análise hodierna das ondas sonoras da Revolução dos Cravos, quer centrípetas (do mundo para Portugal), quer centrifugas (de Portugal para o mundo), tentando vislumbrar influências mútuas ao nível estético, musical, poético e político, que as perpetue enquanto “chão comum” do nosso desenvolvimento coletivo.
As mudanças políticas e culturais do pós-guerra tiveram, em Portugal, um importante papel catalisador da Revolução dos Cravos de 25 de abril de 1974 e a própria revolução portuguesa teve um impacto político no mundo que é pouco estudado e pouco compreendido.
Este trabalho musical aparece no quadro das comemorações dos 50 anos do 25 de abril de 74, berço dos 50 anos da Autonomia Regional, e pretende evidenciar contaminações culturais, estéticas e políticas nascidas dos processos revolucionários e de resistência democrática que proliferaram pelo mundo na segunda metade do séc. XX, valorizando os valores democráticos na construção do nosso futuro.
Ponta Delgada, ao contrário do que se possa pensar, teve um papel bastante importante neste contexto e a “Capital Portuguesa da Cultura” é um momento ideal para o celebrar, afirmar e perpetuar.