Coro das Mulheres da Ilha nasce como um projeto artístico, comunitário e participativo que procura resgatar o sentido de pertença, solidariedade e memória coletiva através do canto.
Inspirado pelo trabalho do Coro das Mulheres da Fábrica, formado em Coimbra, o Coro das Mulheres da Ilha nasce como um projeto artístico, comunitário e participativo que procura resgatar o sentido de pertença, solidariedade e memória coletiva através do canto. Partindo de canções tradicionais dos Açores, de repertórios trazidos pelas próprias participantes e de memórias musicais familiares, o projeto propõe a criação de um espaço de encontro, escuta e construção coletiva, onde a voz contribui para a afirmação de uma identidade comum.
A importância deste projeto reside na sua capacidade de articular criação artística, participação comunitária e valorização do património imaterial. Ao reunir mulheres da ilha de São Miguel em torno do canto, o Coro das Mulheres da Ilha convoca histórias pessoais, experiências de vida e saberes transmitidos oralmente, transformando-os numa obra viva, construída a partir da comunidade e para a comunidade.
Mais do que um espaço musical, o projeto pretende afirmar-se como um lugar onde a arte funciona como ferramenta de intervenção, tanto a nível individual como coletivo. A fundação e estruturação de um coro comunitário feminino envolverá a organização logística, a gestão do grupo, a constituição de uma base de dados sensível às necessidades específicas de cada participante e a criação de condições para uma participação ativa, inclusiva e continuada.
O processo inclui a orquestração, a criação coletiva das canções, a formação de naipes e a preparação de chefes de naipe, promovendo a autonomia, a corresponsabilização e a consolidação interna do coletivo. Será também formada uma participante para dar continuidade à regência e à coordenação musical do coro, garantindo a sustentabilidade do projeto ao longo do tempo e a sua permanência na comunidade.
A construção do Coro das Mulheres da Ilha prevê a realização de residências artísticas em dois momentos distintos. A primeira fase decorrerá entre 20 de julho e 5 de agosto, sendo dedicada à captação de participantes, à criação e estruturação do coro, à organização das inscrições, às recolhas de repertório, aos primeiros ensaios, à definição de naipes, à criação de arranjos e ao início do trabalho de direção artística e de formação de uma futura maestrina.
A segunda fase decorrerá entre 23 de setembro e 1 de outubro, dando continuidade ao trabalho desenvolvido anteriormente e concentrando-se na consolidação do repertório, no aperfeiçoamento vocal, na preparação cénica e na integração artística do coro no concerto de A Garota Não.
No dia 1 de outubro, o Coro das Mulheres da Ilha participará no concerto de A Garota Não, assinalando o primeiro momento público do projeto. Esta apresentação dará visibilidade ao processo artístico e comunitário desenvolvido, celebrando a memória, a tradição oral e a força coletiva das vozes das mulheres da ilha.
Integrado na programação da PDL26, o Coro das Mulheres da Ilha contribui de forma decisiva para afirmar a cultura como espaço de encontro, participação e transformação social. Ao valorizar a voz das mulheres, a memória coletiva e o património musical açoriano, o projeto estabelece uma relação profunda entre criação contemporânea, identidade local e responsabilidade comunitária.
