No passado dia 27 de fevereiro, pelas 19h00, o Núcleo de Arte Sacra – Igreja do Colégio do Museu Carlos Machado, em Ponta Delgada, recebeu o concerto do Homem em Catarse, alter-ego artístico de Afonso Dorido.
Integrado na programação cultural da PDL26, o concerto apresentou ao público o trabalho que o músico tem vindo a desenvolver ao longo da sua carreira artística, cruzando influências de folk, shoegaze, pós-fado e world music. O espetáculo desenvolveu-se num registo intimista, em diálogo com a atmosfera singular da Igreja do Colégio, onde a música surgiu a partir de camadas instrumentais, paisagens sonoras e canções que convidaram à escuta atenta.
Nascido em Barcelos e atualmente radicado em Braga, Afonso Dorido iniciou o projeto Homem em Catarse há cerca de uma década, afirmando desde então uma linguagem autoral profundamente marcada pela introspeção, pela experimentação sonora e pela procura de novos territórios expressivos. Fundador da banda indignu, o músico tem vindo a construir um percurso singular na música portuguesa, refletido numa discografia que inclui o EP Guarda-Rios (2015), o álbum conceptual Viagem Interior (2017), desenvolvido a partir de textos de José Luís Peixoto, o trabalho instrumental sem palavras | cem palavras (2020) e o disco de piano sete fontes (2021), amplamente reconhecido pela crítica como um dos discos do ano.
Durante o concerto em Ponta Delgada, o artista surpreendeu o público com a estreia de um novo tema intitulado “Depois do Vendaval”, revelando que a composição encontrou o seu desfecho nas paisagens naturais da ilha de São Miguel. Segundo o músico, foi durante a sua passagem pelos Açores que encontrou o impulso final para concluir esta peça. As cores, os silêncios e a dimensão quase contemplativa era o que faltava para a conclusão desta canção.
Ao longo do seu percurso, Afonso Dorido tem colaborado com vários nomes de referência da música portuguesa, entre os quais Ana Deus, Manel Cruz, Rodrigo Leão e Old Jerusalem, tendo igualmente passado por alguns dos principais festivais nacionais e internacionais, como o Vodafone Paredes de Coura, o NOS Alive e o Dunk!Festival.
A atuação no Museu Carlos Machado constituiu, assim, uma estreia do músico nos Açores.
