Ponta Delgada Capital Portuguesa da Cultura arranca com programação plural e intergeracional

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02 fev 2026
Ponta Delgada Capital Portuguesa da Cultura arranca com programação plural e intergeracional

O mês de janeiro marcou o arranque da programação da PDL26, Ponta Delgada Capital Portuguesa da Cultura 2026, com um conjunto de iniciativas que afirmam desde o início os princípios da participação, da diversidade artística e do diálogo entre gerações, territórios e linguagens.

Entre os dias 19 e 30 de janeiro, o concelho acolheu o Projeto Boca Aberta, iniciativa criada em 2015 pelo Teatro Nacional D. Maria II e pela Fundação la Caixa, com o apoio do BPI, em parceria com o Plano Nacional das Artes e vários municípios. A peça «Cabe mais um?» percorreu escolas do concelho de Ponta Delgada, levando teatro diretamente às salas de aula. Através da história de dois gatos confrontados com a chegada inesperada de um cão, o espetáculo abordou, com humor e sensibilidade, temas como a diferença, a convivência e a aceitação do outro. O projeto culminou numa sessão aberta ao público, no dia 24 de janeiro, na Sala Polivalente da EBI Arrifes.

O momento simbólico de arranque oficial da PDL26 teve lugar a 29 de janeiro, com o espetáculo de abertura «Deixa Passar a Vida», apresentado no Coliseu Micaelense. Sob direção artística de António Pedro Lopes e com o apoio da Caixa de Crédito Agrícola dos Açores, o espetáculo inspirou-se no poema Ode à Paz, de Natália Correia, afirmando-se como um manifesto poético e sensorial. Música, dança, palavra e movimento reuniram artistas de diferentes idades e universos, num gesto coletivo que celebrou a memória, a diversidade, a esperança e a paz, projetando Ponta Delgada como Lugar do Amanhã.

No dia seguinte, 30 de janeiro, foi inaugurada na Galeria Fonseca Macedo a exposição «A Ilha Como Nascente», de Teresa Gonçalves Lobo. A mostra reúne desenhos produzidos ao longo da última década, numa linguagem abstrata marcada pelo domínio da cor e pela delicadeza do gesto. A exposição estabelece um diálogo significativo com «Existe Luz na Sombra», de Lourdes Castro, patente no Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas, aproximando duas artistas madeirenses e diferentes formas de pensar a luz, o território e a memória.

A programação prosseguiu a 31 de janeiro com a estreia nacional da visita guiada dançada «Gosto de andar à sombra», da companhia Dançando com a Diferença, apresentada no Arquipélago. Com coreografia de Leonor Barata, a proposta partiu da presença da sombra na obra de Lourdes Castro, explorando a tensão entre visibilidade e ocultação através de um exercício performativo e reflexivo.

Ainda nesse dia teve início o ciclo Concertos Vaivém, no espaço Rubro, em Ponta Delgada, com a apresentação do projeto I ERROR, de Samuel Martins Coelho. Num concerto de música eletrónica experimental, o ciclo afirmou-se como um espaço de escuta consciente e de encontro com a criação contemporânea, convidando o público a abrandar e a permanecer no essencial.

Com esta sequência de eventos, a PDL26 confirma desde cedo uma programação plural e transversal, capaz de envolver públicos diversos e de afirmar Ponta Delgada como um território vivo de criação, reflexão e partilha cultural.